
Serão 20 obras exibidas em quatro sessões na quinta-feira (07/08), Dia do Documentário Brasileiro, com obras de 15 municípios diferentes
O Museu ao Ar Livre Princesa Isabel, de Orleans, divulgou nesta quinta-feira (25/07), a programação com os horários das sessões do 1º Festival de Documentários. Ao todo, 20 obras audiovisuais foram selecionadas e serão exibidas no Centro de Vivências, na quinta-feira (07/08), em quatro sessões: às 9h, às 13h30, às 15h e às 19h.
A entrada é gratuita, e a data foi escolhida em alusão ao Dia do Documentário Brasileiro. O evento recebeu 54 inscrições, vindas de 18 cidades de Santa Catarina, além de produções de outros quatro estados brasileiros: Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Pernambuco.
A organização do Festival informa que todas as sessões contarão com intérprete de Libras e que os filmes possuem recursos de acessibilidade. Escolas e pessoas interessadas em assistir às sessões podem entrar em contato pelo WhatsApp (48) 9904-2739 para agendar a participação. Conforme a diretora do Museu, Valdirene Böger Dorigon, em alguns casos, o projeto prevê transporte, o que pode facilitar a presença de grupos. “Os casos serão estudados e avaliaremos cada situação”, explica Valdirene.
Seleção dos filmes
A curadoria do Festival foi composta pela cineasta criciumense Beatriz Kestering Tramontin, pelo produtor cultural gaúcho Wender Zanon e pelo museólogo e professor do Centro Universitário Barriga Verde (Unibave), Idemar Ghizzo.
Para Beatriz, a novidade do Festival foi a priorização dos filmes catarinenses. “É uma forma de valorizar a cultura da nossa região. A proposta traz a experiência das pessoas em contar suas histórias, registrando o patrimônio e a memória como forma de salvaguarda cultural”, afirma a cineasta, que integra a diretoria da Cinemateca Catarinense.
Já o jornalista e produtor cultural Wender Zanon destaca que o Festival lança um olhar para o nosso território. “Vamos ver filmes que contam diversas histórias locais. Um exemplo é Endereços Invisíveis, que aborda a realidade de moradores que vivem em locais sem CEP. É uma vitrine importante para obras que trazem o senso de comunidade e pertencimento”, analisa.
Realização
O Festival de Documentários do Museu ao Ar Livre Princesa Isabel é um projeto viabilizado por meio do Edital Circuito Catarinense de Cultura, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc, do Governo do Estado de Santa Catarina, por meio da Fundação Catarinense de Cultura (FCC), com apoio do Governo Federal.
Programação
| Título da obra | Tempo | Município |
| MANHÃ – 9h | ||
| Cerimonial de Abertura | 5 min | |
| Não é brincadeira, é Bullying | 18 min | Urubici |
| Dén kabel atõ vãnh gõ | 25 min | Urubici |
| Um Olhar Aprendiz | 35 min | Forquilhinha |
| Lotes não carpidos: arte e resistência no oeste catarinense | 28 min | Pinhalzinho |
| Tempo da sessão | 1h38min | |
| TARDE – 13h30 | ||
| Cerimonial de Abertura | 5 min | |
| Pindotiba e Cultura Popular: Nas imagens, nos sons e na alma | 14 min | Orleans |
| Mascates de sonhos | 15 min | Itajaí |
| Nos Tempos da Nonna | 20 min | Forquilhinha |
| Mi Son da Belun | 38 min | Siderópolis |
| Tempo da sessão | 1h32min | |
| TARDE – 15h | ||
| Cerimonial de Abertura | 5 min | |
| Histórias do Quilombo | 7 min | Içara |
| Rendas de bilro: História e memória das rendeiras de Florianópolis | 5 min | Joinville |
| Código Pirata | 10 min | Itajaí |
| Correnteza | 8 min | Lageado/RS |
| Aguada – histórias de lavadeira | 49 min | Imbituba |
| Tempo da sessão | 1h24min | |
| NOITE – 19h | ||
| Cerimonial de Abertura | 5 min | |
| Endereços Invisíveis | 11 min | Florianópolis |
| Negritude em Criciúma | 10 min | Criciúma |
| Manequinha – do Samba ao Céu | 24 min | Jaraguá do Sul |
| Fiado só amanhã | 22 min | Joaçaba |
| Resistência 196: Conectando Arte e Conhecimento | 29 min | Biguaçu |
| UrbAnidade Invisível | 13 min | Içara |
| Ruínas: Fragmentos Poéticos | 9 min | Criciúma |
| Tempo da sessão | 2h03min | |
Sinopses
Manhã – 9h
“Não é brincadeira, é Bullying”
Não É Brincadeira, É Bullying desmonta a ideia de que a zoeira é inofensiva. Vítimas, pais, educadores e um promotor de justiça mostram como a violência cotidiana se instala, por que o agressor repete padrões e como o silêncio dos que assistem mantém o ciclo vivo. O filme defende empatia, habilidades socioemocionais e justiça restaurativa como caminhos mais eficazes que a punição isolada, convidando escolas e famílias a transformar convivência em respeito.
“Dén kabel atõ vãnh gõ”
O documentário “Dén kabel atõ vãnh gõ” tem como referência a tradição oral dos povos originários, onde o conhecimento é transmitido em momentos à beira do fogo. O arqueólogo Rafael Cortelletti e a arqueóloga Xokleng Walderes Coctá Priprá exploram os antigos sítios arqueológicos da Serra Catarinense e, juntos, revelam as pesquisas, histórias e legados dos povos Jê, que habitaram a região. O filme é uma jornada de reconexão com a cultura ancestral, destacando a importância da preservação e o resgate da memória indígena, enquanto unem saberes acadêmicos e tradicionais.
“Um Olhar Aprendiz”
Permita me apresenta. Sou como a voz da sua consciência. Nesse momento você pode me chamar de provocador! Venho propor reflexões. Uma conversa, para conhecer histórias, trajetórias, diferenças e igualdades e respeitar. Pra você o que é diversidade? O que é Inclusão?
“Lotes não carpidos: arte e resistência no oeste catarinense”
O documentário investiga o fazer artístico em um contexto interiorano à luz de um recorte local. Trata-se de uma oportunidade de compreender as dinâmicas culturais e sociais que moldam o desenvolvimento artístico fora dos grandes centros urbanos. Deste modo, a obra busca não apenas evidenciar as peculiaridades do processo criativo de cada personagem, mas também revelar como o contexto local afeta as perspectivas, desafios e inspirações dos artistas. Ao retratar as vivências, o projeto se propõe a explorar a experiência artística de cinco criadores que, embora compartilhem o mesmo espaço geográfico, representam idades, gêneros e campos de atuação distintos como dança, artes visuais, literatura e música.
Tarde – 13h30
“Pindotiba e Cultura Popular: Nas imagens, nos sons e na alma”
O curta-metragem Pindotiba e Cultura Popular: nas imagens, nos sons e na alma irá destacar o distrito de Pindotiba como uma comunidade agregadora de saberes, conhecimentos populares e que também possui rica cultura. Os costumes, tradições e o movimento artístico/cultural da comunidade serão narrados por célebres moradores da região, que dão característica a um povo acolhedor, com uma belíssima história.
“Mascates de sonhos”
O que tem além daquela lona? Em conversa com proprietários, artistas e pesquisadores do circo ‘Mascates de Sonhos: a magia e resistência do circo’ mergulhando nas diversas facetas do circo contemporâneo e suas formas de continuar existindo e resistindo. Uma jornada de resiliência, criatividade e paixão, que convida a refletir sobre o papel do circo em nossas vidas.
“Nos Tempos da Nonna”
Nos Tempos da Nonna é uma celebração das histórias e tradições de uma colônia de imigrantes italianos. Através da personagem Nonna, o filme combina a arte da contação de histórias com a magia do audiovisual, trazendo à tona memórias cheias de amor, risos e emoção.
“Mi Son da Belun”
Documentário que recorda o rico legado cultural, econômico e social do fluxo migratório vêneto que no final do século XIX colonizou Nova Belluno, hoje Siderópolis. Neste local, os moradores ainda falam dialetos no dia a dia, praticam cantorias e conservam as tradições, muito tempo depois da chegada dos pioneiros em 1891. Uma entidade reúne descendentes de imigrantes e mantém viva esta memória: a Associação Bellunesi Nel Mondo Família de Siderópolis, que comemora o 30º aniversário de fundação no dia 10 de abril de 2024. “Mi son da Belun” é uma expressão dialetal utilizada com orgulho por pertencer ao lugar com grande concentração de italo-brasileiros no Sul de Santa Catarina: Siderópolis, nos primórdios chamada Nova Belluno.
Tarde – 15h
“Histórias do Quilombo”
Em meio a inúmeras espécies de árvores e uma rica natureza, a Comunidade Quilombola de São Roque carrega uma cultura ancestral. A maior parte de seu território fica em Praia Grande, no Extremo Sul catarinense. As terras também se estendem ao município de Mampituba, no Rio Grande do Sul. Nos mais de 7 mil hectares, as famílias que vivem no local cuidam do espaço e dos costumes que descendem de ex-escravos africanos, quando buscavam melhores condições de vida e se refugiaram na região. Esse documentário faz parte de uma reportagem especial chamada: “Quilombolas em SC: herança cultural é preservada com o ecoturismo”
“Rendas de bilro: História e memória das rendeiras de Florianópolis”
Uma história sobre rendas.
“Código Pirata”
Código Pirata é um curta metragem, estilo mocumentário, baseado em contos, lendas e histórias reais de piratas do litoral Catarinense, misturando ficção e realidade com uma boa dose de humor. O Capitão Rock Brasiliano e sua tripulação aterrorizaram a costa brasileira com suas armas primitivas, código totalitário, investidas cruéis, sarcasmo e muito Rum. Ou pelo menos, é o que os historiadores dizem. Capitão Rock quer provar que isso não é verdade… Exceto pela parte do Rum.
“Correnteza”
Um corpo segue na correnteza por uma capital submersa.
“Aguada – histórias de lavadeira”
Uma mulher olha para a lagoa e comenta sobre a vida. O sol começa a subir no horizonte. Outras mulheres carregam trouxas na cabeça em direção a fonte. O primeiro trem da manhã passa apitando. Uma mulher idosa conta sobre seu antigo ofício. Resultado de uma pesquisa que resgatou histórias das Lavadeiras de Imbituba e mesclando documentário e ficção, o média metragem de 49 min. revela através de algumas das histórias passadas na localidade conhecida como “Aguda”, a vida cotidiana das lavadeiras em seu ofício. As personagens compartilham suas alegrias e dificuldades, convidando o público para as experiências mais marcantes. O resultado são histórias dentro de uma história, que falam sobre questões ambientais, sociais e econômicas, através da memória direta e de um jogo de linguagem cinematográfica que possui como fio condutor a vida das lavadeiras.
Noite – 19h
“Endereços Invisíveis”
Sem CEP, as pessoas não existem no mapa. Na comunidade Frei Damião, a maior favela urbana de Santa Catarina, moradores enfrentam a invisibilidade imposta pela exclusão postal e mostram como a luta por um endereço é também a busca por reconhecimento, direitos e pertencimento.
“Negritude em Criciúma”
Negritude em Criciúma: a contribuição do clube dos morenos na representatividade do povo negro na região carbonífera. Descubra um recorte da rica história da Sociedade Recreativa União Operária, um símbolo de resistência e cultura da comunidade negra em Criciúma. Este vídeo arte apresenta relatos emocionantes de figuras-chave como Reginaldo, Iara, Valmor, Anália e Normélia. Entenda como o clube se tornou um espaço vital para a socialização, educação e luta antirracista, graças aos esforços incansáveis de seus fundadores, Vilson e Clotildes Lalau, e da comunidade. Este relato afetivo em audiovisual preserva a memória e a cultura negra, destacando a importância de figuras emblemáticas na transformação da sociedade.
“Manequinha – do Samba ao Céu”
Manequinha – Do Samba ao Céu resgata a trajetória de Manuel da Rosa, o Mestre Manequinha, um ícone das artes populares em Jaraguá do Sul. O curta explora sua influência no cenário cultural, celebrando seu legado e a paixão que o levou do ritmo do samba à imortalidade na memória da cidade.
“Fiado só amanhã”
Os locais são conhecidos por nomes diversos: bar, mercearia, comércio e até como bodega – embora esse termo seja rejeitado por alguns. Algumas pessoas entrevistadas nesses espaços, proprietárias e frequentadoras, respondem sobre a ética por trás do fazer (ou não) fiado: marcar a dívida de um dia para pagar em outro. Mais do que isso, os depoimentos desses personagens constroem uma perspectiva sobre a cultura desses lugares a partir de suas experiências ali. A confiança, o crédito, o conhecer-o-outro, o saber-escolher-em-quem-confiar e demais conhecimentos empíricos são temas trazidos por elas entre piadas e comentários sobre essa sociedade, a finitude das coisas e das culturas, as histórias desses lugares e de suas próprias vidas.
“Resistência 196: Conectando Arte e Conhecimento”
Resistência 196: Conectando Arte e Conhecimento é um documentário dirigido por Maria Clara Souto que retrata a trajetória de uma década da Batalha da 196, movimento de rap que acontece todos os domingos na Praça João Marcondes de Mattos, em Biguaçu (SC). Nascida às margens da BR-101, a batalha se consolidou como um dos principais espaços de expressão artística e cultural da juventude da Grande Florianópolis.
“UrbAnidade Invisível”
A rotina e a realidade de quem trabalha na rua. Um artista, um artesão e um vendedor, contam como as pessoas veem o trabalho deles com desprezo e indiferença. Pelas ruas de Criciúma, o filme retrata que eles existem, fazendo uma crítica à UrbAnidade Invisível.
“Ruínas: Fragmentos Poéticos”
Pesquisa no campo das artes e experimentação, com janela de interpretação de língua de sinais, legendagem para surdos e ensurdecidos, sendo acessível a diferentes públicos, com a temática sobre três patrimônios materiais tombados do município de Criciúma/SC: Caixa de Embarque de Carvão, Mina Modelo Caetano Sônego e Ponte de Ferro, ligados diretamente à extração mineral do Sul de Santa Catarina.






